Metodologia, premissas e fontes — Estudo 2026
Rascunho para revisão. Não publicar como está.
Este documento foi montado lendo o código que está no ar — a função
compute()emoriginal/Code.gs(linha 39) e o cálculo equivalente na landing page. Todas as fórmulas e todos os números abaixo foram conferidos e reproduzidos.O que o autor do rascunho não pode fazer: inventar fonte. Sempre que uma constante do modelo não pôde ser rastreada até uma fonte real citada no material, ela está marcada em amarelo. Não é acusação — é lacuna. É melhor a lacuna aparecer agora do que num e-mail de um analista de compliance depois da publicação.
Índice
- O que este documento responde
- O que você informa e o que o modelo faz com isso
- O custo-hora: a base de tudo
- As quatro parcelas do custo
- O score de 0 a 100
- As referências de comparação
- Fontes citadas
- ⚠️ Limitações do modelo
- ⚠️ Lista consolidada de perguntas para o Rafael (seção interna — não vai para a página publicada)
1. O que este documento responde
A calculadora entrega um número em reais e um score de 0 a 100. Este documento abre a caixa-preta: de onde vem cada parcela do custo, qual constante entra em cada conta e de onde veio cada constante.
Quem responde à pesquisa é RH, CFO e compliance. Esse público vai perguntar. Melhor responder antes.
2. O que você informa e o que o modelo faz com isso
| Você informa | Como é usado |
|---|---|
Colaboradores (head) | Multiplica o presenteísmo, o turnover e o custo administrativo; e forma a folha total |
Salário médio mensal (sal) | Base do custo-hora e da folha total |
Turnover anual (turn) | Fração do quadro que é desligada e reposta no ano |
Atestados por saúde mental por mês (atest) | Multiplicado por 12 vira o total anual de atestados |
| Setor | Não entra em nenhuma conta. Hoje serve só para rotular o relatório. Ver 8.5 |
Mais nada entra no cálculo. As 12 perguntas da pesquisa não afetam o custo nem o score — elas alimentam o texto das três prioridades do relatório e a base agregada do estudo.
3. O custo-hora: a base de tudo
Três das quatro parcelas do custo dependem do custo-hora.
custo-hora = salário médio mensal × 1,7 ÷ 176
Em palavras: pega-se o salário médio, acrescentam-se 70% de encargos e o resultado é dividido pela jornada mensal de 176 horas.
| Constante | Valor | De onde veio |
|---|---|---|
| Fator de encargos | 1,7 (= salário + 70%) | RAFAEL: DE ONDE VEIO ESTE NÚMERO? A landing page e o PDF afirmam "salário + 70% de encargos", mas nenhuma fonte é citada para os 70%. É um número comum no mercado brasileiro como regra de bolso, e varia bastante conforme regime tributário, setor, CCT e composição de benefícios. Precisa de uma referência, ou de ser assumido explicitamente como premissa da Segue. |
| Jornada mensal | 176 h | Convenção: 44 h semanais × 4 semanas, a jornada máxima da CLT. É um padrão de mercado defensável, mas não está citado em lugar nenhum do material. RAFAEL: confirmar que é isso e citar como "jornada padrão CLT de 44 h/semana" |
Exemplo: salário médio de R$ 3.000 → R$ 3.000 × 1,7 ÷ 176 = R$ 28,98 por hora.
4. As quatro parcelas do custo
O custo total é a soma de quatro parcelas. Antes das fórmulas, o mais importante: quanto cada uma pesa.
4.0 Quanto cada parcela pesa
Empresa-padrão: 500 colaboradores, R$ 3.000 de salário médio, turnover de 30%.
| Parcela | R$/ano | % do total |
|---|---|---|
| Presenteísmo | 406.838 | 76,1% |
| Turnover atribuível | 90.000 | 16,8% |
| Absenteísmo por saúde mental | 30.461 | 5,7% |
| Custo administrativo | 7.200 | 1,3% |
| Total | 534.502 | 100% |
Leia esta tabela com atenção. Três quartos do número que aparece em destaque na tela vêm de uma única parcela — o presenteísmo — que é justamente a menos observável das quatro: ninguém mede diretamente quantas horas alguém passou preocupado com dinheiro. Ela é construída inteiramente a partir de percentuais de pesquisas de opinião. Isso não a invalida, mas exige que o documento diga com todas as letras: o número grande é, em sua maior parte, uma estimativa de premissa.
4.1 Presenteísmo — 76% do total
Colaborador presente, mas com a cabeça no problema financeiro.
presenteísmo = colaboradores × 45% × 2 h/semana × 48 semanas × custo-hora × 65%
Em palavras: supõe-se que 45% do quadro tem a produtividade afetada por questões financeiras; cada um desses perde 2 horas por semana, durante 48 semanas no ano; essas horas são valoradas pelo custo-hora e, por prudência, conta-se apenas 65% do valor, porque uma hora distraída não é uma hora totalmente perdida.
| Constante | Valor | De onde veio |
|---|---|---|
| Colaboradores afetados | 45% | Onze/Icatu, Raio-X da Saúde Financeira dos Brasileiros 2026 (8.391 entrevistados). Fonte citada. ⚠️ Ressalva: é uma pesquisa com brasileiros em geral, não com os colaboradores da empresa que está respondendo. Ver 8.4. |
| Horas perdidas por semana | 2 h | Interpolação, não medição. O material cita Onze/Icatu 2026 ("79% perdem mais de 1 hora por semana") e "PwC 2026" ("metade dos estressados gasta 3 horas ou mais"). 2 h é um valor escolhido entre esses dois — razoável, mas é premissa. Além disso, a fonte "PwC 2026" aparece apenas dentro do PDF gerado (Code.gs linha 78) e não está na lista de fontes da landing page. RAFAEL: qual é a referência completa do estudo da PwC? Título, ano e link |
| Semanas trabalhadas no ano | 48 | Convenção (52 semanas menos férias e feriados). Sem fonte citada. Defensável, mas precisa ser declarado como premissa. RAFAEL: confirmar o critério |
| Fator de produtividade | 65% | O próprio material declara a origem: "premissa conservadora — Segue, metodologia do estudo" (Code.gs linha 78). Não tem fonte externa e não pretende ter. Precisa aparecer no documento público exatamente assim: premissa da Segue. RAFAEL: existe alguma referência de literatura sobre presenteísmo que sustente a ordem de grandeza? Se não, mantemos como premissa declarada |
4.2 Turnover atribuível — 17% do total
Parte do custo de reposição de pessoas que é atribuída ao estresse financeiro.
turnover atribuível = colaboradores × turnover anual × 1 salário mensal × 20%
Em palavras: do total de desligamentos do ano, considera-se que repor cada pessoa custa um salário mensal, e que 20% desses desligamentos têm o estresse financeiro como causa.
| Constante | Valor | De onde veio |
|---|---|---|
| Custo de repor uma pessoa | 1 salário mensal | RAFAEL: DE ONDE VEIO ESTE NÚMERO? Nenhuma fonte, em lugar nenhum do material. É o número mais frágil do modelo e ao mesmo tempo o mais fácil de contestar: um profissional de RH sabe que reposição custa rescisão + vaga aberta + recrutamento + treinamento + curva de aprendizagem. Um salário mensal é uma estimativa muito conservadora. Isso não é necessariamente ruim (conservadorismo protege a credibilidade do estudo), mas precisa estar escrito e justificado — hoje não está em lugar nenhum. |
| Parcela atribuível ao estresse financeiro | 20% | Declarado como "premissa conservadora", ancorado em "70% mudariam de emprego por um benefício financeiro (Onze/Icatu)" (Code.gs linha 78). A âncora é uma intenção declarada ("mudaria"), não um desligamento observado. A premissa de 20% é bem mais conservadora que os 70% da âncora, o que é correto — mas continua sendo escolha, não medição. |
4.3 Absenteísmo por saúde mental — 6% do total
Horas efetivamente não trabalhadas por atestados, na parcela atribuída ao estresse financeiro.
absenteísmo = (atestados/mês × 12) × 116,8 h × custo-hora × 30%
Em palavras: cada atestado por saúde mental representa, em média, 116,8 horas de trabalho perdidas; 30% dessas horas são atribuídas ao estresse financeiro.
| Constante | Valor | De onde veio |
|---|---|---|
| Horas por atestado | 116,8 h | Valor Econômico / VR, 15/09/2026. Cálculo declarado: 957.576 h ÷ 8.198 atestados. Fonte citada. ⚠️ Mas há uma inconsistência no próprio material: a landing page afirma "957 mil horas perdidas por saúde mental em 7 meses", enquanto o título da matéria citado no rodapé diz "em seis meses". Seis ou sete meses? RAFAEL: qual é o correto? E qual é o link da matéria? O divisor de 8.198 atestados também não aparece em nenhum texto público — só dentro do código |
| Parcela atribuível | 30% | Declarado como "premissa conservadora", ancorado em: 65% ligam finanças à ansiedade (Onze/Icatu) e ansiedade responde por 67% dos atestados (Valor/VR) — o que daria ~43%. Escolher 30% é ser conservador em relação à própria âncora, e isso é defensável. É premissa, e precisa ser declarada como tal. |
4.4 Custo administrativo — 1,3% do total
Tempo do RH gasto administrando vales, adiantamentos, consignados e penhoras.
custo administrativo = 10 × 12 × 60 × colaboradores ÷ 500
Resultado: R$ 14,40 por colaborador por ano (R$ 1,20 por mês).
RAFAEL: DE ONDE VEIO ESTE NÚMERO? — esta parcela não fecha com a própria descrição
O relatório em PDF descreve esta parcela como "horas do RH × custo-hora" (
Code.gslinha 62). Mas a fórmula não contém o custo-hora. Tentando reconstruir a intenção por trás dos números (10 minutos, 12 meses, 60, e um divisor 500), não há leitura que feche:
- Se "60" fosse R$ 60/hora, faltaria dividir os 10 minutos por 60 para virar hora — e o resultado seria 60 vezes menor.
- Se o cálculo fosse "10 min por colaborador por mês", a taxa horária implícita seria de R$ 7,20 por hora, abaixo de qualquer custo-hora de RH real.
- O divisor 500 é exatamente o headcount padrão da calculadora, o que sugere que a conta foi calibrada para "uma empresa de 500 pessoas gasta R$ 7.200/ano" e depois escalada linearmente.
Duas consequências práticas:
- Esta parcela ignora o salário da empresa. Uma empresa com salário médio de R$ 10.000 tem exatamente o mesmo custo administrativo por colaborador que uma com R$ 1.600 — o que contradiz frontalmente a descrição "horas do RH × custo-hora".
- Como a parcela pesa só 1,3% do total, o erro quase não muda o número final — mas muda a credibilidade, porque é a linha que um leitor atento consegue conferir de cabeça.
Decisão necessária: ou a fórmula é corrigida para realmente ser "horas do RH × custo-hora" (com a premissa de minutos declarada), ou a descrição no relatório é reescrita para corresponder ao que a conta faz. Hoje as duas coisas não batem.
5. O score de 0 a 100
Como é calculado
Passo 1 — soma-se o custo das quatro parcelas e compara-se com a folha anual com encargos:
folha anual = colaboradores × salário × 1,7 × 12
% da folha = custo total ÷ folha anual × 100
Passo 2 — esse percentual é comparado com a referência de 1,75%:
score = 50 × (% da folha ÷ 1,75)
limitado entre 0 e 100.
As faixas
| Score | Faixa exibida |
|---|---|
| 0 a 39 | Abaixo dos pares |
| 40 a 59 | Na média dos pares |
| 60 a 79 | Acima dos pares |
| 80 a 100 | Crítico |
O que "50 = média dos pares" significa de verdade
A página diz "50 = média dos pares". Não é uma média de empresas. É isto:
O valor 1,75% é o percentual da folha que a própria calculadora produz quando recebe os valores padrão dos controles: 500 colaboradores, salário médio de R$ 3.000, turnover de 30% e atestados na referência de 6% ao ano.
Conferido: com esses valores o modelo devolve 1,7467% e score 50.
Ou seja, 50 é a nota da empresa-padrão do próprio simulador, não a mediana de uma amostra. O mesmo vale para a "referência de pares: R$ 1.069 por colaborador/ano" que aparece no PDF — é exatamente 534.502 ÷ 500, o resultado da empresa-padrão.
Isso não é desonesto: o material já diz que a referência é "construída a partir dos parâmetros da metodologia" e que será substituída pela amostra real na publicação de novembro. Mas a expressão "média dos pares", sozinha na tela do score, sugere ao leitor uma coisa que ainda não existe. RAFAEL: como você quer nomear isso até o estudo ter amostra? Sugestão: "50 = empresa de referência do modelo" e trocar para "média dos pares" só quando a amostra existir
6. As referências de comparação
O relatório compara a empresa com três referências:
| Indicador | Referência | De onde veio |
|---|---|---|
| Custo sobre a folha | 1,75% | Saída da própria calculadora com os valores padrão (ver seção 5) |
| Atestados por saúde mental por 100 colaboradores/ano | 6,0 | RAFAEL: DE ONDE VEIO ESTE NÚMERO? A calculadora oferece "usar a referência de mercado (6% do headcount por ano)" como opção marcada por padrão, mas não cita nenhuma fonte para esses 6%. |
| Turnover anual | 30% | RAFAEL: DE ONDE VEIO ESTE NÚMERO? É o valor padrão do controle deslizante e a referência da tabela comparativa. Sem fonte citada. O turnover brasileiro é alto e varia muito por setor — publicar "30%" como referência sem fonte é um convite a contestação, ainda mais numa página que promete "benchmarks e fontes". |
7. Fontes citadas
Lista reproduzida do rodapé da landing page e do PDF do Raio-X.
| # | Fonte, como está citada hoje | Onde é usada | O que falta |
|---|---|---|---|
| 1 | Valor Econômico, "Questões de saúde mental custam quase 1 milhão de horas de trabalho em seis meses" (levantamento VR), 15/09/2026 | 116,8 h por atestado; 67% dos atestados por ansiedade; afastamentos de 60+ dias = 8% dos atestados e 48% dos dias perdidos | Link. E resolver o conflito 6 meses × 7 meses (ver 4.3). O divisor de 8.198 atestados não aparece em texto público. |
| 2 | Ministério da Previdência Social, benefícios por saúde mental, 2022–2024 | O dado "2,3× afastamentos em 2 anos" na narrativa | Link / nome da base. Não entra em nenhuma fórmula — é contexto. |
| 3 | Onze / Icatu Seguros, Raio-X da Saúde Financeira dos Brasileiros 2026 (8.391 entrevistados) | 45% afetados; 79% perdem mais de 1 h/semana; 65% ligam finanças à ansiedade; 70% mudariam de emprego por benefício financeiro | Link. É a fonte mais usada do modelo — sustenta a parcela que vale 76% do total. |
| 4 | Serasa Experian / SalaryFits, Saúde Financeira dos Trabalhadores 2025–2026 | O dado "83% esperam que o empregador ajude" na narrativa | Link. Não entra em nenhuma fórmula. |
| 5 | PwC 2026 ("metade dos estressados gasta 3 h ou mais") | Ancoragem da premissa de 2 h/semana | ⚠️ Citada só dentro do PDF; não está na lista pública de fontes. Falta a referência completa. |
| 6 | NR-1 — riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, "desde maio de 2026" | Todo o enquadramento do material e da cartilha | RAFAEL: referência normativa exata — número e data da portaria que promoveu a alteração Numa peça dirigida a compliance, citar uma norma sem o número da portaria é frágil. |
Aviso honesto: as citações foram lidas e reproduzidas como estão no material. Não há como confirmar que cada uma existe, que os números conferem com o original, nem se os links estão corretos — porque nenhuma delas tem link no material. Conferir uma a uma com a fonte original é tarefa de um humano, e é pré-requisito para publicar uma página chamada "Metodologia e fontes".
8. ⚠️ Limitações do modelo
Esta seção é a mais importante do documento. Ela existe para que a Segue diga primeiro o que um crítico diria depois.
8.1 O score não muda com o tamanho da empresa
O achado: de 50 a 10.000 colaboradores, mantendo o resto igual, o score é exatamente o mesmo.
Conferido rodando o modelo:
| Colaboradores | Custo anual | Custo por colaborador | Score |
|---|---|---|---|
| 50 | R$ 53.450 | R$ 1.069 | 50 |
| 100 | R$ 106.900 | R$ 1.069 | 50 |
| 500 | R$ 534.502 | R$ 1.069 | 50 |
| 1.000 | R$ 1.069.004 | R$ 1.069 | 50 |
| 5.000 | R$ 5.345.018 | R$ 1.069 | 50 |
| 10.000 | R$ 10.690.036 | R$ 1.069 | 50 |
Por quê, em linguagem simples: todas as quatro parcelas do custo crescem em linha reta com o número de colaboradores — e a folha total também. Quando se divide uma coisa pela outra, o número de colaboradores aparece em cima e embaixo e se cancela. O que sobra depende essencialmente do turnover (e de forma quase imperceptível do salário).
Consequência prática: o valor em reais muda — e muda muito, porque é proporcional ao tamanho — mas o score e a faixa ("na média dos pares") são praticamente insensíveis a tudo que o usuário arrasta na tela, exceto o turnover.
| Turnover | Score |
|---|---|
| 5% | 43 |
| 10% | 44 |
| 20% | 47 |
| 30% | 50 |
| 50% | 56 |
| 80% | 64 |
E o salário praticamente não move nada: de R$ 1.600 a R$ 10.000, o score vai de 50 para 49.
O efeito colateral mais visível: com a opção "Não sei" marcada (que é o estado padrão da página), varrendo todas as combinações possíveis dos controles, o score só consegue ficar entre 42 e 65. As faixas "Abaixo dos pares" (abaixo de 40) e "Crítico" (80 ou mais) são inalcançáveis. O medidor mostra quatro faixas, mas só duas podem acender.
Isto não é bug de código — é a metodologia. O modelo mede intensidade (custo como % da folha), não escala. Está matematicamente coerente. A questão é de produto e de comunicação: o usuário arrasta o controle de 50 a 10.000 colaboradores e o score não se mexe, e isso é percebido como "esta calculadora não está funcionando".
RAFAEL: DECISÃO PENDENTE — três caminhos, e a escolha é sua:
- Manter e explicar. Deixar claro na tela que o score mede intensidade, não tamanho, e que o número em reais é a parte que responde ao porte.
- Fazer o porte entrar no modelo de verdade. Diferenciar as premissas por porte (empresas grandes têm mais estrutura de RH, turnover e perfil salarial diferentes). Isso muda a metodologia do estudo.
- Comparar por porte. Manter o cálculo e trocar a referência fixa de 1,75% por uma referência por faixa de porte e setor — que é exatamente o que a amostra de novembro permitiria fazer.
8.2 A opção "Não sei" faz o modelo se comparar consigo mesmo
O campo de atestados vem com a caixa "Não sei — usar a referência de mercado (6% do headcount por ano)" marcada por padrão. Na prática, é assim que a maioria vai responder.
O que acontece quando ela está marcada:
- O sistema preenche os atestados com 6% do headcount ao ano.
- Calcula a taxa por 100 colaboradores: 6% do headcount ÷ headcount × 100 = exatamente 6,0.
- Compara esse 6,0 com a referência de mercado, que também é 6,0.
- Conclui: "na referência".
O relatório compara o palpite do sistema com o próprio palpite do sistema e informa ao respondente que ele está na média. O resultado é predeterminado: com "Não sei" marcado, a linha "Atestados por saúde mental por 100 colaboradores" sempre dirá "na referência", para qualquer empresa, sempre.
Pior: o texto da comparação é apresentado ao leitor como se fosse um achado sobre a empresa dele ("Sua taxa (6,0 por 100 colaboradores) está na referência ou abaixo") — quando é apenas o valor que o próprio sistema inseriu por falta de resposta.
Há ainda um segundo efeito, menor mas confuso: o campo exibe o número arredondado (3 atestados/mês para 500 colaboradores), enquanto o cálculo usa o valor exato (2,5). Se o usuário apenas desmarcar a caixa sem alterar nada, o modelo passa a usar 3 em vez de 2,5 — a taxa salta para 7,2 por 100 e a mesma empresa, com a mesma informação, passa de "na referência" para "acima da referência", e recebe uma prioridade diferente no relatório.
RAFAEL: DECISÃO PENDENTE — sugestões possíveis:
- Quando "Não sei" estiver marcado, suprimir a linha de comparação de atestados no relatório e escrever "não informado", em vez de afirmar que a empresa está na média.
- Ou marcar visivelmente o valor como estimado ("valor de referência aplicado por falta de dado — informe o número real para uma comparação válida").
- E corrigir a divergência entre o número exibido (arredondado) e o usado no cálculo.
8.3 Três quartos do resultado vêm da parcela menos observável
Como mostra a tabela 4.0, o presenteísmo responde por 76% do custo total — e é construído inteiramente com percentuais de pesquisa de opinião (45%, 2 h, 48 semanas, 65%). Nenhuma empresa mede presenteísmo diretamente. O número é uma estimativa razoável, mas é uma estimativa, e o documento precisa dizer isso antes que alguém diga por ele.
8.4 Percentuais de população geral aplicados a uma empresa específica
Os percentuais da Onze/Icatu vêm de uma pesquisa com brasileiros em geral (8.391 entrevistados). O modelo os aplica ao quadro de uma empresa específica, cujo perfil salarial, setor e região podem ser muito diferentes da média nacional. É uma aproximação necessária na ausência de dado próprio — e precisa ser declarada.
8.5 O setor não entra em nenhuma conta
O usuário escolhe entre oito setores. Essa escolha não altera nenhum número — nem o custo, nem o score, nem a referência. Ela aparece apenas como rótulo no relatório e na frase "Seus pares (Varejo, porte 101–500)...", que sugere uma comparação setorial que ainda não existe. RAFAEL: até a amostra existir, a frase deve dizer isso?
8.6 As respostas da pesquisa não entram no cálculo
As 12 perguntas (benefícios existentes, gasto, NR-1, dores observadas) não afetam o custo nem o score. Elas só selecionam o texto das três prioridades do relatório. Se o respondente marca "mais atestados por saúde mental" e "penhoras na folha", o número não muda em nada.
8.7 O modelo não desconta sobreposições
Presenteísmo, absenteísmo e turnover são somados como se fossem independentes. Na prática, a mesma pessoa pode estar nas três parcelas (rendeu menos, depois se afastou, depois pediu demissão). Como as três parcelas já usam percentuais de atribuição conservadores (65%, 30%, 20%), a sobreposição é parcialmente absorvida — mas não há um ajuste explícito para isso.
8.8 Todas as premissas são anuais e estáticas
Não há sazonalidade, não há diferença por área ou por faixa salarial dentro da empresa, e o modelo não projeta evolução no tempo.
8.9 Detalhe menor: os números fixos da "prévia" não batiam com o modelo
O bloco de prévia da landing page trazia, escritos no HTML, "R$ 754 mil" e "22.651 h". Os valores corretos do modelo para a empresa-padrão são R$ 534.502 e 15.091 h. O JavaScript sobrescreve esses valores assim que a página carrega, então quase ninguém via os errados — mas eles apareciam se o JS demorasse ou falhasse, e estavam no código-fonte, que é público.
Estado desta pendência: os dois valores fixos já foram atualizados na nova landing (
web/index.html) para R$ 534.502 e 15.091 h, conferidos contra o modelo. A fórmula não foi tocada. RAFAEL: confirmar que os valores antigos eram mesmo de uma versão anterior do modelo, e não de um cenário diferente que se pretendia mostrar
9. ⚠️ Lista consolidada de perguntas para o Rafael
Esta seção não vai para a página publicada. Quem for publicar a versão final deve apagar este bloco inteiro.
A. Constantes sem fonte rastreável
| # | Constante | Onde é usada | Peso |
|---|---|---|---|
| A1 | 70% de encargos (fator 1,7) | Custo-hora e folha total — afeta tudo | Alto |
| A2 | 1 salário mensal como custo de repor uma pessoa | Turnover | Alto — é 17% do total |
| A3 | 6% do headcount/ano de atestados por saúde mental | É a referência e o valor padrão | Alto |
| A4 | 30% de turnover como referência de mercado | Tabela comparativa e valor padrão | Alto |
| A5 | Fórmula do custo administrativo — não fecha com a própria descrição | Parcela administrativa | Baixo no valor, alto na credibilidade |
| A6 | 176 h de jornada mensal | Custo-hora | Baixo (convenção CLT, mas precisa ser declarada) |
| A7 | 48 semanas trabalhadas no ano | Presenteísmo | Baixo (convenção, precisa ser declarada) |
B. Fontes citadas que precisam de referência completa
| # | Pendência |
|---|---|
| B1 | Link de todas as quatro fontes do rodapé — hoje nenhuma tem link |
| B2 | PwC 2026: referência completa. Aparece só dentro do PDF, não na lista pública |
| B3 | Valor/VR: "seis meses" ou "sete meses"? O material afirma as duas coisas |
| B4 | Valor/VR: de onde vem o divisor de 8.198 atestados (só existe dentro do código) |
| B5 | NR-1: número e data da portaria que incluiu riscos psicossociais no GRO |
| B6 | Conferência número a número de cada citação contra a fonte original |
C. Decisões de metodologia (não são bugs — são escolhas)
| # | Decisão | Estado |
|---|---|---|
| C1 | O score não varia com o porte (8.1). Manter e explicar, mudar o modelo, ou criar referência por porte? | Aberta — marcada no código com // PENDENTE-RAFAEL |
| C2 | "Não sei" faz o sistema se comparar consigo mesmo (8.2). Suprimir a comparação, ou marcá-la como estimada? | Aberta — marcada no código com // PENDENTE-RAFAEL |
| C3 | "50 = média dos pares" descreve a empresa-padrão do simulador, não uma amostra (seção 5). Renomear até novembro? | Aberta |
| C4 | Setor não entra no cálculo (8.5), mas o texto sugere comparação setorial. Ajustar a redação? | Aberta |
| C5 | Premissas próprias da Segue (65%, 30%, 20%) devem aparecer na página pública rotuladas como premissas? | Aberta |
| C6 | Corrigir a divergência entre o valor exibido (arredondado) e o usado no cálculo dos atestados | Aberta — marcada no código com // PENDENTE-RAFAEL |
| C7 | Atualizar os valores fixos da prévia no HTML (8.9) | Feito na nova landing — falta o Rafael confirmar que os antigos eram de uma versão anterior |
D. Rótulo de porte nos valores de fronteira — corrigido
O material antigo (Code.gs linha 43 e painel-estudo.html linha 112) rotulava os valores exatos de fronteira uma faixa acima: uma empresa com exatamente 100, 500, 1.000 ou 5.000 colaboradores lia, respectivamente, "101–500", "501–1.000", "1.001–5.000" e "5.001+". Eram quatro fronteiras, não três — a dos 5.000 passou despercebida no primeiro levantamento.
Estado: corrigido nas três pontas, na mesma janela e com o mesmo critério. O gatilho do banco é a autoridade do campo porte e define a regra:
h <= 100 ? 'até 100' : h <= 500 ? '101–500' : h <= 1000 ? '501–1.000' : h <= 5000 ? '1.001–5.000' : '5.001+'
- Banco — gatilho corrigido pelo DB Sage; validado em Postgres 16 real nas 12 fronteiras (12/12) e regressão da fórmula com diferença zero em 10.021 combinações.
- Landing (
web/index.html, funçãoporte()) — alinhada ao banco, conferida nas 12 fronteiras (12/12). - Painel (
painel/index.htmllinha 267) — alinhada ao banco, conferida nas 12 fronteiras (12/12).
Nenhum número da fórmula de custo foi tocado: a faixa de porte é apenas um rótulo e não entra em nenhuma conta.
Anexo — de onde saiu cada informação deste rascunho
| Afirmação | Origem |
|---|---|
| Função de cálculo completa | Code.gs linhas 39-44 (compute) |
| Cálculo idêntico na landing | estudo-estresse-financeiro.html linhas 252-272 |
| Referência de 1,75% | estudo-estresse-financeiro.html linha 249 (REF_PCT) |
| Faixas do score | Code.gs linha 42; estudo-estresse-financeiro.html linha 251 |
| Tabela de parâmetros e fontes do PDF | Code.gs linha 78 |
| Descrição das quatro parcelas no PDF | Code.gs linha 62 |
| "Referência de pares: R$ 1.069" | Code.gs linha 70 |
| Referências de 6,0 atestados e 30% de turnover | Code.gs linhas 73-74 |
| Lista de fontes | estudo-estresse-financeiro.html linha 239 |
| "Não sei" marcado por padrão | estudo-estresse-financeiro.html linha 150 |
| Arredondamento do campo de atestados | estudo-estresse-financeiro.html linhas 255-257 |
| Valores fixos da prévia | estudo-estresse-financeiro.html linhas 197-198 |
| Tabelas de sensibilidade (porte, turnover, salário, faixas alcançáveis) | Reprodução do modelo, conferida em 18/09/2026 |